Detesto rótulos, mas se tivesse que ser intitulada de alguma coisa preferiria o título de humanista, porque sou a favor do ser humano e não acredito na superioridade de nenhum sexo, raça, religião ou qualquer outro rótulo que reduza pessoas a um estereótipo.
VOCÊ É SEXISTA?
- Seu filho começa a namorar e você pergunta para a nova namorada se ela sabe cozinhar?
- Você esta no transito e normalmente quando alguém faz uma barbeiragem você olha pelo vidro e diz: só podia ser mulher!
- Sua filha começa a namorar e ao inves da sua filha dirigir o seu carro, voce logo vai dando as chaves nas maos do namorado dela para conduzir?
- Você acha que sua filha deve servir comida, ou colocar a mesa para o namorado e a educa para que isso aconteça?
- Você é daquele tipo de mulher que se não tiver condições para ter uma empregada acha que é você que tem a obrigação de fazer o trabalho da casa (lavar, passar, cozinhar, cuidar dos filhos...)?
- Você faz ou aceita com naturalidade esse tipo de comentário: Qual mulher que não gosta de...
- Você já se pegou dizendo:
Eu gosto ou não gosto disso porque sou mulher.
Estou mal-humorada porque sou mulher.
Gosto ou não gosto de alguma comida, bebida, cor ou atividade porque sou mulher.
Não desempenho bem uma tarefa porque sou mulher.
Desempenho bem uma tarefa porque sou mulher.
Todas as mulheres são iguais ou muito parecidas.
Todos os homens são iguais ou muito parecidos.
Mulher é mais a ou b que homem.
Se você já se pegou dizendo qualquer um dos exemplos acima, acredite se quiser, você é sexista.
Ser sexista é ignorar as diferenças comuns que existem entre cada ser humano (e não entre os sexos).
As mulheres são todas diferentes, assim como os homens.
Ser sexista é reduzir todas as mulheres a um estereótipo.
É por isto que nunca aceitei
ser intitulada como feminista. Para muitos essa palavra significa ódio ao sexo
masculino.
Além disto, se queremos igualdade e o machismo significa a
superioridade do sexo masculino, então, seguindo o princípio da igualdade, o
feminismo também deveria significar superioridade feminina, mas significa
igualdade. O que já é uma falta de igualdade conceitual.
Detesto rótulos, mas se tivesse
que ser intitulada de alguma coisa preferiria o título de humanista, porque sou
a favor do ser humano e não acredito na superioridade de nenhum sexo, raça,
religião, etc.;
Normalmente, as mulheres acham que ser sexista é “mérito” dos homens, mas isso não é verdade, elas podem ser tão sexistas ou às vezes até mais do que eles.
Saiba que o sexismo é a principal causa para que as mulheres continuem a receber salários mais baixo; ele é também a causa que prende a maioria das mulheres as jornadas duplas de trabalho; e limita muito as escolhas de cada mulher.
E então? Vamos deixar de ser sexistas? Vamos procurar evoluir e a ajudar as pessoas a melhorarem e serem mais felizes?
Seguem abaixo algumas histórias verídicas sobre o assunto.
“Só podia ser mulher!”
“SE A FALTA DE HABILIDADE PARA DIRIGIR ESTIVESSE NO DNA DE TODA MULHER NÃO HAVERIA PILOTAS COMO A DANICA PATRICK, BIA FIGUEIREDO, DENTRE TANTAS OUTRAS.”
Embora eu goste muito da Márcia Tiburi porque é ela quem muitas vezes salva do sexismo as meninas do programa Saia Justa, dessa vez ela não salvou ninguém.
No programa de hoje um internauta fez a seguinte pergunta as meninas: o que vocês acham quando acontece alguma coisa de errado no trânsito e as pessoas logo vão dizendo “ - Só podia ser mulher!” ?
As meninas concordaram que as mulheres não são boas motoristas. A Maitê disse que há pesquisas que comprovam que as mulheres não têm senso de espaço, porque na idade da pedra elas não iam caçar. A Márcia (que eu muito respeito e admiro) disse que dirigia tão mal que hoje em dia não dirige mais, e disse que quando fazia alguma barbeiragem ela mesma abaixava o vidro do carro e dizia: “- Eu sou mulher, tá?”.
A Monica disse: “ - Não dá pra fingir que nós somos ótimas motoristas.” E a Betty concordou.
Desejamos viver num mundo sem sexismo, mas o que fazer com o sexismo que se encontra dentro de tantas mulheres, mesmo dentro das mais modernas e bem sucedidas? Não posso deixar de dizer que fiquei muito surpresa com o que ouvi.
Eu desconheço essas mulheres barbeiras de que tanto falam por aí. Eu mesma, graças a Deus, nunca tive o desprazer de ouvir um “Só podia ser mulher!”
De todas as minhas amigas, somente duas tem dificuldades para dirigir. Uma não dirige devido a um trauma de infância e a outra tem uma tremenda falta de confiança desde que saiu da auto-escola. Ela nunca se desafiou a melhorar esta habilidade, porque ela não tem interesse em melhorar. Todas as outras dirigem normalmente, como eu. E tem uma que dirige melhor que todas as pessoas que conheço, sejam mulheres ou homens (exatamente porque a vida dela a levou a dirigir muito. Ela praticou).
Cada vez mais se vêem mulheres motoristas de táxi, motoristas particulares, manobristas de estacionamento e pilotas profissionais. Se o comentário da Maitê tivesse mesmo algum fundo científico e a falta de habilidade para dirigir estivesse mesmo no DNA de toda mulher, não haveriam pilotas como Danica Patrick, Bia Figueiredo e tantas outras, competindo nas principais categorias do automobilismo mundial, num mercado EXTREMAMENTE machista e sexista que impõe dificuldades ENORMES para qualquer mulher que se atreva a tentar uma carreira nesse esporte. Ou seja: elas, para conseguirem uma carreira nesse esporte, precisam enfrentar dificuldades muito maiores do que as dificuldades enfrentadas pelos homens e, portanto, somente sendo ótimas pilotas para terem uma chance e, principalmente, uma carreira.
Danica Patrick e o Lewis Hamilton frequentemente agradecem pela educação que receberam dos pais, porque dizem que fez toda a diferença para que eles conseguissem chegar onde chegaram.
COM CERTEZA OS PAIS DE DANICA NUNCA DISSERAM A ELA QUE AS MULHERES NÃO SÃO CAPAZES DE DIRIGIR TÃO BEM QUANTOS OS HOMENS PORQUE NÃO IAM CAÇAR.
E o mesmo vale para o Lewis. Dizer que as mulheres não tem habilidades para dirigir bem é tão preconceituoso quanto dizer o mesmo de um negro.
1. Quando vamos parar de acreditar nessas pesquisas destrutivas, que fazem com que a gente se acomode e pense besteiras, como: “- Isso está no meu gene, é o nosso karma, então nem adianta eu tentar, não tem jeito...”.
2. Quatro anos atrás conheci a Juliana (todos os nomes deste site são pseudônimos, para não expor ninguém). Nós costumávamos sair em turma, eram 4 mulheres e três homens. E como nós morávamos perto uma da outra, nós revezávamos a carona. Então descobri que ela tinha a fama de dirigir extremamente mal. Só que quando ela estava tentando estacionar o carro, os meninos ficavam olhando e tirando sarro, dando risada. Ela também dava risada e tirava sarro dela mesma com muito bom humor. A gente ouvia piadinhas de mulher o tempo todo, do tipo: mulher não sabe dirigir; mulher não tem noção de espaço, etc. E ela não conseguia estacionar, até que eu tinha que pegar a direção do carro e estacionar pra ela. Aí percebi que quando estava apenas eu e ela no carro estacionando, ela não era ruim. Ela conseguia estacionar, por exemplo. Ela ficava nervosa porque sabia que as pessoas estavam olhando e iam criticá-la.
Eu não tenho problemas para dirigir (não sou convencida, apenas não dirijo mal), mas ficaria bem nervosa se começassem a me secar pra ver se eu consigo estacionar. Aliás, isso já aconteceu uma vez que fui estacionar na frente de um restaurante e algumas pessoas ficaram olhando e comentando. Aí a gente ouve todo o tipo de comentários sexistas, do tipo: “Ih! É mulher!”, “Se ela conseguir parar ali eu não vou acreditar.” Meu namorado às vezes não se entende com a vaga e demora pra estacionar o carro, mas ninguém fica olhando ou tirando sarro.
3. Uma vez presenciei a diferença de tratamento entre irmãos de sexos diferentes. Estávamos todos no carro: dois irmãos de sexos diferentes, o pai deles e eu. Sempre era o menino que dirigia, mas naquele dia a menina resolveu dirigir. Ela é uma boa motorista. Talvez, se ela dirigisse tanto quanto o irmão, ficaria ótima como ele, mas o pai ficava atrás aos berros dizendo que tudo o que ela fazia era errado. E até eu, que não estava dirigindo, me assustava com as broncas dele. Porque será que, mesmo ela sendo uma boa motorista, o pai não confiava nela tanto quanto no menino?
Eu dirijo igual ao meu namorado, e isto quer dizer somente normal, nada de mais, nem de menos. Não faço besteiras, estaciono com facilidade e sei o que estou fazendo, mas não sou perfeita. Na verdade é muito raro eu fazer uma besteira no transito, muito raro mesmo.
O que me chama atenção é que aquelas que dirigem mal (ou mais ou menos mal), não confiam nelas mesmas, não acham que tem capacidade para aprender, elas tem medo de errar e continuam a vida toda tão inseguras como no dia em que saíram da auto-escola, não fazem nada pra melhorar, não praticam, não procuram estacionar nas vagas mais difíceis para aprender, muito pelo contrário, assim que começam a namorar, ou se casam, seus namorados ou maridos passam a dirigir e aí ficam no lugar do passageiro criticando as mulheres que tiveram a força de vontade de fazer o que elas não fizeram.
4. Já reparou que nos filmes hollywoodianos nenhuma mulher dirige bem? Todas são péssimas motoristas ou então correm feito malucas estressadas. E as mulheres absorvem para vida real essa mentira, esse estereótipo, como se fosse uma verdade, o que só ajuda a piorar a mentalidade coletiva.
5. Minha mãe dirige melhor que meu pai. Eu dirijo igual ao meu namorado. E tenho muitas amigas que dirigem melhor que eu, sendo que uma em especial é a melhor motorista que já conheci. Ela é melhor que todas as mulheres e todos os homens que conheço.
Sinceramente, eu não entendo essa certeza da sociedade em achar que toda mulher dirige mal.
Você já parou pra pensar que aquilo que gera preconceito contra as mulheres muçulmanas de certa forma se assemelha a esses pensamentos baseados em teorias destrutivas?
Segundo estudos de Leila Ahmed (publicado na revista VEJA em 10/10/2001), especialista em estudos da mulher e do Oriente Próximo da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos e a estudiosa marroquina Fátima Mernissi, o Corão (livro sagrado dos muçulmanos) diz que todos são iguais perante a Alá, inclusive os sexos, perante a Deus, mas para o pensamento ortodoxo muçulmano distorcido e inventado diz que uma mulher vale menos que um homem, comparam-nas com cães e jumentos e dizem que atrapalham qualquer homem nos negócios. Todas as justificativas são inventadas, acontece que a maioria das mulheres muçulmanas são proibidas de freqüentar a escola e por isso pouco sabem sobre a verdadeira história de Maomé e o Corão.
Não seriam os dois pensamentos igualmente baseados em justificativas destrutivas, capazes de enganar as mulheres e esmigalhar sua autoconfiança?
Desistir de estudar (claro que lá elas não tem outra opção) não seria tão limitador quanto desistir de dirigir ou de estudar engenharia porque acha que não foi feita pra isso?
Quando as mulheres se acomodam em não aprender uma atividade direito e deixam para o homem fazer porque acredita que ele nasceu com essas habilidades e ela não, ela esta, MAIS UMA VEZ, limitando seu “amplo universo feminino”. É mais uma coisa da qual ela abre mão e, o que é pior, acredita piamente que optou livremente por isso.
Aqui no ocidente as mulheres acreditam que podem escolher tudo. E realmente podem. Mas só se elas aprenderem a identificar pensamentos sexistas como estes e é por isto que este BLOG existe. Para fazer com que cada vez mais mulheres percebam como elas são levadas por teorias que reduzem as mulheres a um estereótipo menos inteligente e com menos habilidades que os homens.
Logo depois, o Programa Saia Justa de hoje mostrou a diferença salarial que as mulheres do mundo inteiro enfrentam, parece que nos EUA essa diferença é de 25%. E a Monica perguntou: “- Não é curioso que no mundo todo as mulheres ralem pra caramba e se conformem com isso? Porque nós não reivindicamos os nossos direitos?”. Concordo com a Monica, mas o fato é que já há países que ralam muito, implantando medidas a agindo para que isso aconteça e estão chegando bem perto disso, é o caso da Bélgica, França, Austrália, Noruega que em 2000 alcançaram a marca de apenas 9% de diferença salarial entre os sexos, contra os 32% do Japão.
MAS AS BRASILEIRAS SÃO AS MULHERES QUE MAIS SOFREM COM ISSO NO MUNDO TODO COM 34% DE VARIAÇÃO ENTRE AS REMUNERAÇÕES DE AMBOS OS GÊNEROS (SEGUNDO UM ESTUDO PUBLICADO PELA CONFEDERAÇÃO INTERNACIONAL DOS SINDICATOS ICFTU, BRUXELAS, 4 MAR - EFE).
O estudo, baseado em pesquisas com 300 mil mulheres de 24 países, afirma que estas, no mundo todo, ganham em média 22% a menos que os homens.
O BRASIL ESTÁ ATRAZ DA ÁFRICA DO SUL (33%), DO MÉXICO (29,8%), DA ARGENTINA (26,1%) E DOS ESTADOS UNIDOS (20,8%).
As menores diferenças nas remunerações são registradas na Suécia (11%), Dinamarca (10,1%), Reino Unido (9%) e Índia (6,3%).
"Aqui as mulheres sofrem outros tipos de discriminação, como uma menor promoção da carreira profissional e a carência de políticas que conciliem o trabalho e a vida familiar." Lamentou a presidente da confederação, Sharan Burrow.
Além disso, o estudo afirma que a atual crise afeta de forma "especial" as mulheres no momento de buscar um emprego ou em suas condições trabalhistas.
O que mais me chamou atenção foi que as meninas do Saia Justa não perceberam que a razão pela qual as mulheres continuam a ganhar menos é a mesma que faz com que acreditem que as mulheres não tem habilidades para dirigir = o nosso comodismo diante de tanto sexismo.
PRECISAMOS PARAR DE SE AUTO-LIMITAR, DE PRÉ-JULGAR, DE NÃO CONFIAR EM NOSSAS HABILIDADES E DE NÃO IR A LUTA SE APOIANDO EM PESQUISAS E TEORIAS INÚTEIS.
Mau-humor é coisa de mulher?
Andressa (pseudônimo) acaba de se casar e está nos contando histórias sobre seu marido.
Andressa: “- Que mulher que não tem mau-humor, não é mesmo? Toda mulher tem mau humor. Outro dia meu marido me perguntou assim: o que você tinha ontem? Porque você estava mal humorada ontem? Respondi pra ele: porque sou mulher! Mulheres são assim.”
Aí, ela olha pra gente e diz: “- Mas, não é?”.
O que a Andressa disse a seu marido é um comentário extremamente preconceituoso e sexista. É só ler os comentários que fiz sobre a propaganda do Buscofem, na página "Mídia". Mau-humor não é “mérito” de nenhum sexo.
Esse tipo de comentário só faz aumentar a intolerância contra as mulheres, porque toda vez que você ficar de mau-humor, nervosa, irritada todos vão achar que você está assim devido a seus hormônios, quando na verdade você pode ter motivos graves para estar irritada.
Ela está moldando e consentindo para que seu marido seja sexista não só com ela, mas com todas as outras mulheres que trabalham com ele, por exemplo.
NÓS TEMOS QUE TORNAR ESTE MUNDO UM LUGAR MELHOR PARA TODAS AS MULHERES VIVEREM. TEMOS QUE FACILITAR A VIDA DE TODAS NÓS E NÃO DIFICULTAR AUMENTANDO AINDA MAIS O PRECONCEITO.
O tamanho do preconceito é o mesmo para aqueles que VÃO ou NÃO VÃO votar na Dilma porque ela é mulher.
‘Mulher não vota em mulher’, disse a Rádio Eldorado AM.
Pesquisas demonstram que as mulheres são as menos inclinadas a votar em Dilma Roussef.
Votar na Dilma porque ela é mulher é tão preconceituoso quanto não votar na Dilma porque ela é mulher.
Não se deve escolher em quem votar baseado em seu sexo. Muitas mulheres que se candidatam usam como argumento que quanto mais houver mulheres na política, mais as crianças do sexo feminino terão em quem se espelhar. Concordo, mas os partidos abusam desse argumento. O caráter de um político não se mede pelo seu sexo. E de que adianta termos uma Câmara dos Deputados lotada de mulheres se todas forem mau caráter, corruptas ou egoístas?
Não vou votar na Dilma, mas isso, COM CERTEZA, não têm nada a ver com o seu sexo. O resultado dessas ‘pesquisas’ é lamentável.