Projeto de Lei

Proposta de Lei para eliminação do sexismo existente dentro das salas de aula das escolas do país.

Há muito se sabe que a educação das meninas e meninos é diferente, tanto em casa quanto na escola, mas pouco se comenta sobre os resultados que isso acarreta na formação de cada indivíduo. Muitos dos gostos e das famosas diferenças entre meninos e meninas, se originam na educação que cada um recebe. Cabe a nós diminuirmos as diferenças entre as duas educações para que possamos produzir igualdade de oportunidades, já que de nada adianta oferecer uma oportunidade se a mentalidade do indivíduo já foi moldada para rejeitá-la.

Conheça alguns estudos sobre o sexismo existente nas escolas e logo após as mudanças propostas para implementação nas escolas de todo o país.

Na Educação Física

Em pesquisa realizada pelo Boletim EF (que conquistou o reconhecimento oficial ao receber o Prêmio Brasil de Esporte e Lazer de Inclusão Social em cerimônia realizada no Palácio do Planalto com a presença do presidente Lula), constata-se o sexismo existente nas aulas de educação física.

Como foi realizada a pesquisa:
O objetivo do estudo foi investigar a manifestação e/ou reprodução dos estereótipos dos sexos nas aulas de Educação Física e nas atividades lúdicas e motoras, em crianças de 2a e 3a séries do Ensino Fundamental do Centro de Atenção Integral à Criança – CAIC – Seropédica, RJ.

A investigação se desenvolveu através de uma pesquisa qualitativa de observação participativa, tendo como eixo condutor a abordagem etnográfica, através do acompanhamento das aulas, interpretação dos desenhos elaborados pelas crianças, entrevistas, filmagem, fotos e aplicação do Teste de Estereótipos de Gênero nas Atividades Motoras – TEGAM - com as crianças e professoras.

O estudo procurou levantar informações relevantes da cultura do grupo, buscando entender os diversos eventos que se instalam ou transformam as condutas sociais.

Resultados:
- O universo da escola é dividido.

- As crianças percebem as atividades desenvolvidas nas aulas de Educação Física como separadas por sexo, apesar de mistas.

- Meninos e meninas ocupam espaços diferentes para a prática das atividades lúdicas, poucos meninos brincam juntos com as meninas, e estas brincam menos ainda com eles, pois permanece, no espaço recreativo, a idéia do campo de futebol como universo sagrado masculino.

Através da aplicação do TEGAM (Teste de Estereótipos de Gênero nas Atividades Motoras), as meninas apontaram os seguintes estereótipos masculinos: machismo, agressividade, vergonha e vigor físico; e os femininos: a falta de habilidade feminina, feminilidade e infantilidade.

Já fica aqui a constatação do próprio preconceito que as meninas tem sobre elas mesmas: a falta de habilidade citada é uma crença altamente limitadora que foi moldada na cabeça das meninas durante a sua fase de formação. Isto nos mostra que é preciso mudar a educação que damos às meninas. Estamos limitando as meninas ao universo feminino, fazendo-as acreditar que não possuem habilidades e que não nasceram para isso e sim para “coisas mais femininas”.

Já a infantilidade relatada, deve-se ao fato das meninas serem mais manhosas que os meninos, fato que se origina na educação com excessos de cuidados e consolo. Neste campo, é muito fácil notar as diferenças de tratamento dos pais na criação dos diferentes sexos. Por exemplo: quando uma menina se machuca logo fazemos carinho, colocamos ela no colo, a deixamos chorar e conversamos com ela usando palavras, frases e expressões que incentivam o lado manhoso, ou até vinculando sua auto estima a sua beleza: porque uma menina tão bonita esta chorando? Minha princesa! (princesas são figura frágeis, dependente e indefesas). Mas quando um menino se machuca, dizemos que ele é forte e incentivamos seu lado corajoso, não dando muito espaço pra ele chorar. Essas diferenças fazem com que, ao atingir a idade de 5 anos as diferenças entre os sexos já estejam enormes!

Já os meninos apontaram os seguintes estereótipos femininos: a falta de habilidade feminina, a feminilidade, a vaidade e a infantilidade; e os estereótipos masculinos apontados pelos meninos: machismo, vigor físico, agressividade;

Quer dizer, se nem as meninas acreditam em si mesmas não podemos culpar os meninos por não acreditarem também.

O vigor físico, característica apontada como sendo de posse masculina é distorcida e super valorizada. As meninas confundem a maior força masculina com habilidade ou inaptidão, no caso de menos força física.

Elas se subestimam e eliminam muitas opções de seus caminhos.
Todos entendemos a diferença entre violência física e a verbal, há do mesmo modo a diferença entre a limitação física e a “mental” (coloco entre aspas porque limitação mental pode ser entendida como a de alguém que sofre de autismo ou síndrome de down. Mas o “mental” a que me refiro é a mentalidade pré-moldada. O que se faz acreditar não ser apto ou capaz de realizar algo).

Os estereótipos apontados pelas professoras, que dificultam a participação dos meninos em algumas brincadeiras e jogos foram: machismo e vergonha; e para a participação de meninas em determinadas atividades foram: feminilidade e vaidade.

Através de 47 desenhos foi possível observar que há separação por sexo nas atividades lúdicas e motoras das crianças do CAIC, fato que pôde ser distinguido nitidamente através de três grupos de desenhos:

Grupo A (22 desenhos), que apresenta a separação entre os sexos no que se refere aos espaços de ocupação por cada sexo e às atividades motoras diferenciados para meninos e meninas;

Grupo B (9 desenhos), que aponta para uma interação entre os sexos, porém sugerindo confronto, e, em alguns desenhos, apontando para a superioridade masculina;

Grupo C (16 desenhos), que mostra a participação de meninos e meninas brincando juntos.

Finalmente, pôde-se verificar que a escola perpetua e reforça os comportamentos considerados adequados para meninos e meninas, oriundos da educação familiar, fato que contribui para que as crianças sejam desencorajadas a praticar as atividades corporais consideradas não adequadas ao seu sexo. A escola, mais do que a reprodução dos padrões baseados nos papéis sexuais, parece implementar uma educação dos corpos com base no sexo.

Após constatado que a educação nas escolas aumenta o sexismo, (que se inicia muitas vezes na educação que recebemos em casa) devemos levar em consideração todas as questões citadas neste projeto de lei
para a implementação de medidas que eliminem os estereótipos da crença das crianças. Já que esta crença limita o caminho das meninas, conservando-as em atividades consideradas femininas.

Referências:
O sexismo nas aulas de educação física: uma análise dos desenhos infantis e dos estereótipos de gênero nos jogos e brincadeiras. PEREIRA, Sissi Aparecida Martins.  2004. 182 f. Tese (Doutorado em Educação Física) - Programa de Pós-Graduação em Educação Física, Universidade Gama Filho, Rio de Janeiro, 2004.

Prof. Efrain Maciel e Silva
Editor do site BoletimEF

Boletim Brasileiro de Educação Física - ISSN 1806-2245
CEP: 70919-970 - Caixa Postal: 4351 - Brasília, DF
Tel: (61) 8407-7784 ou 3307-2048 ramal 260

Na Matemática

ANEXO
PROJETO EDUCACIONAL PARA A IGUALDADE ENTRE OS SEXOS

Aos pais, adolescentes, professores e governantes:

É um grande objetivo da ONU a eliminação dos estereótipos e mitos negativos que prendem as mulheres a papéis subordinados. É também da ONU a opinião que devemos acelerar as mudanças neste sentido através de campanhas educativas e mudanças culturais que envolvam as famílias, as escolas e o governo. Devemos colocar em prática a convenção de 2000 (renovada em 2006) realizada pelo CEDAW (Convention of Elimination of all types of Discrimination Against Women - Convenção da Eliminação de todos os tipos de Discriminação Contra Mulheres).
Deste modo se faz necessário o conhecimento sobre o tema, uma iniciativa junto aos governantes e a conscientização da população, principalmente pais e professores.

Conheça nas próximas linhas um projeto desenvolvido pela Dra. Nicole Mosconi (com pouquíssimas complementações pessoais), para implementação nas escolas de todo o país, de modo a complementar o processo educativo envolvendo a escola e os professores.

Nicole Mosconi
• Formada na faculdade de Sèvres;
• Formada e bacharelada em filosofia;
• Doutorada em ciências da educação (1986);
• Habilitada a dirigir pesquisas em ciência da educação (1992);
• Professora de ciências da educação em Paris na universidade de Nanterre.

Por Nicole Mosconi

O texto a seguir é uma tradução da apresentação feita por Nicole Mosconi durante a PREMA2/workshop sobre mulheres e a matemática, em 17 de Outubro de 2008, em Paris, no Henri Poincaré Institute.

PESQUISAS EM DIVERSOS PAÍSES DO MUNDO DEMONSTRAM QUE OS PROFESSORES NÃO EDUCAM OS SEXOS COM IGUALDADE

Acreditamos por muito tempo que a escola era um lugar protegido contra preconceito de sexos e discriminações que existem na sociedade. Juntar meninas e meninos na mesma escola não é suficiente para criar igualdade entre eles, porque nós vivemos numa sociedade onde mecanismos complexos constantemente reproduzem diferenças sociais entre os sexos, e esses mecanismos não param na porta da escola.

A igualdade na escola não será alcançada facilmente, precisa ser construída. É necessário educar as crianças para a igualdade, mas educar as crianças significa começar a educar os professores. Abordo abaixo dois pontos de extrema importância:

A - Como treinar os professores para a igualdade?
B - Como treinar os professores para educar meninas e meninos para a igualdade em matemática?

A - COMO TREINAR OS PROFESSORES PARA A IGUALDADE?
Os professores normalmente se dividem em dois tipos:
1. Os que acham que a igualdade já existe na escola.
2. Os que acham que mesmo que não exista, eles não podem fazer nada a respeito porque as razões principais tem a ver com a sociedade, família, mídia, etc. Eles estão certos, esses fatores de fato são uma parte do problema, mas os professores contribuem muito para isto, visto que todas as pesquisas baseadas em observações dentro da sala de aula mostram que os professores não educam com igualdade.

Não estou dizendo que tratam garotas diferente dos garotos; Estou dizendo que eles os tratam com desigualdade.
Pesquisas mostram que os professores agem de maneira diferente com respeito às meninas e meninos:

Eles tendem a interagir mais com meninos que com as meninas. (2/3 com meninos e 1/3 com meninas);
Eles perguntam mais para os meninos, especialmente para aqueles com mais notoriedade;
Fornecem mais explicações de natureza cognitiva a eles;
Fazem perguntas mais complexas;
Dão mais atenção as suas intervenções espontâneas;
Tendem a dar mais tempo a eles para responder e mais tempo para corrigir seus erros.

Enquanto que solicitam, às boas alunas, a lembrarem um conhecimento anteriormente já explicado e aos bons alunos a construírem novos conhecimentos. Formando meninas peritas em transmissão das tradições e meninos em inovadores na cultura da classe. Eles tratam meninas e meninos com “dois pesos e duas medidas”.
No que diz respeito aos resultados escolares, eles tendem a achar que os bons resultados de uma menina estão relacionados ao seu esforço pessoal e os bons resultados de um menino estão relacionados às suas capacidades.
E que as meninas fazem o que podem e que elas não têm habilidades além do que mostram.

Quando os meninos são julgados, os professores tendem a acreditar que eles podem se sair melhor, que eles possuem outras habilidades, além daquelas que mostram no seu trabalho.
O resultado é que eles têm expectativas diferentes de meninas e meninos. E isso é ainda mais forte quando o assunto é matemática.

Podemos concluir que isso faz com que meninas e meninos “aprendam” coisas diferentes dentro da sala de aula.

Podemos concluir que os meninos aprendem a se expressar e a se auto-afirmar, para disputar autoridade com os adultos e para adquirir confiança neles próprios. Enquanto que as meninas aprendem a como se auto-limitar nos seus relacionamentos com os adultos, como participar menos e “ter menos lugar”, fisicamente e intelectualmente.
As meninas aprendem a ter um papel secundário, expressando menos suas opiniões, sendo menos apreciadas pelos adultos e se submetendo às autoridades. Sofrem sem protestar a predominância de alguns garotos, não acreditam nelas mesmas e reprimem suas habilidades.
Em outras palavras, elas aprendem posições sociais desiguais de acordo com o sexo. O grande problema é que este fenômeno ocorre de uma maneira inconsciente.
É o que os sociologistas chamam de “curriculum escondido”: as coisas que aprendemos na escola (conhecimento, habilidades, papéis, valores, representações) sem nunca ter aparecido no programa oficial da instituição (Forquin, 1985) e sem ninguém pretender ensinar isso.

Sócio-psicólogos falam sobre “cognição implícita social” para se referir a representações e princípios que são automaticamente ativados pela forte caracterização do sexo estereotipado.

Vamos chamar de representações as diferentes imagens observadas pelos nossos olhos (a imagem de uma mulher, de um homem, de uma criança ou de um idoso, por exemplo). Os julgamentos, as interpretações e as condutas são alterados de acordo com essas representações. Isto quer dizer que agimos diferentemente e automaticamente com cada uma delas. O que não paramos pra pensar é que este pré-conceito pode prejudicar ou privilegiar o futuro de cada criança. Isto ocorre com todos nós, e ninguém esta a salvo disso por ser professor e estar dentro da escola.

Então, consequentemente, como educar professores?
Eu devo iniciar falando sobre elementos que não são específicos a professores de matemática, mas que são essenciais, em minha opinião. Devo considerar elementos mais específicos. Levando em conta que eles lidam com práticas relacionadas ao conhecimento de senso comum, que estão profundamente arraigados em cada um de nós e que induz representações, julgamentos e comportamentos involuntários. Uma simples instrução teórica, como uma palestra, por exemplo, é ineficaz.

A tendência de uma palestra é contradizer conceitos e revelar contradições e inconsistências entre as práticas dos professores e seus ideais de igualdade. E isso irá alimentar a ilusão de que a igualdade entre os sexos existe. Portanto, fortes resistências são encontradas no caminho e é provável que essas palestras deixem intactos seus comportamentos e suas convicções já profundamente arraigadas.

A explicação deste fenômeno tende a ameaçar o subordinado narcisista (os professores), não só de um ponto de vista profissional, mas também no que diz respeito a suas identidades pessoais. Revelar os mecanismos que reforçam a construção das desigualdades entre os sexos no dia-a-dia do professor significa que tenham que se situar neste processo, ao lado dos dominantes ou dos dominados. E nenhum dos casos é confortável ou facilmente aceito.

Também não aconselhamos iniciar o processo com conhecimento teórico. Isto será necessário mais adiante.

Primeiramente, é necessário fazer com que os professores comecem a trabalhar no conhecimento de senso comum no que diz respeito ao feminino e ao masculino, às mulheres e aos homens (“curriculum escondido”, “cognição implícita social”, representações, etc).

Cendrine Marro, Francoise Vouillot e eu (Nicole Mosconi) usamos um método baseado em situações concretas de discussão de grupo. Segue abaixo.

O MÉTODO

1. Objetivo: fazer os jovens perceberem como sua percepção repousa num circulo vicioso sexista.
Usamos situações dos papéis denominados feminino e masculino. Por exemplo: praticar esportes e tomar conta de criança, a mesma situação é proposta a grupos diferentes e indicamos o nome do personagem principal sendo uma mulher em um grupo e um homem no outro.

2. Objetivo: desconstruir e alterar o entendimento de senso comum que repousa num circulo vicioso entre o sexo biológico, gênero psicológico, papéis sociais de cada sexo, características psicológicas e tarefas: Podemos usar a mesma situação, atribuindo o mesmo caso a uma garota e a um garoto. Cada grupo deve criar um conselho a ser dado ao personagem principal e uma discussão torna possível para cada grupo argumentar e expor o conselho. Então pontos divergentes são expressos. Através de trocas, podem elevar a consciência sobre a complexidade e o caráter arbitrário de uma diferenciação de tarefas e comportamentos baseada no sexo.

3. Proporcionar tempo suficiente e pessoalmente
Para conseguirmos bons resultados, duas condições são de suma importância: tudo deve ser feito pessoalmente; Deve ser proporcionado tempo suficiente para que o trabalho em grupo se desenvolva em profundidade e as tarefas possam ser concluídas e explicadas pelos professores. Sugerimos uma aula para a prática dessas atividades.

4. Auto observação
Se dissermos aos professores que eles estão tratando meninas e meninos em desigualdade, eles não vão acreditar, eles acreditam, de boa fé, no oposto.
Experiências mostram que para conseguir um bom resultado com os professores (Marro Cendrine, Vouillot Françoise, 2004, Quelques concepts clefs pour penser et former à lamixité. Carrefours de l’éducation, 17, 3-21) não existe outra solução, se não a auto observação. Podemos fazer isso através da análise de uma gravação em vídeo da aula. Ou através da observação mútua de grupos de dois ou três, cada um indo assistir a aula do outro.
A situação em grupo permitirá mudanças mais férteis, produtivas e seguras.
Então, depois de notar o fato, sobrará refletir, com o objetivo de mudar o comportamento espontâneo e automático.

5. Relatório
Relatórios podem ser usados como recurso complementar. Isto pode ser outra maneira de criar e tentar transformar a prática do professor.

6. Objetivo: mostrar teoricamente que os estereótipos produzem desigualdades.
Mostrar que existe uma forte relação entre meninos, prestigio e rentabilidade devido ao percurso proposto na escola.
A teoria será necessária para distinguirmos os sexos, seus estereótipos sexuais e suas conseqüências múltiplas, das quais podemos destacar: a prática desigual dos professores, o sexismo, as conseqüências sociais e físicas do fenômeno da dominação masculina, a divisão sexo-social do trabalho e do conhecimento e a orientação diferenciada de garotas e garotos que resulta em percursos escolares diferentes.

B - COMO TREINAR OS PROFESSORES PARA EDUCAR MENINAS E MENINOS PARA A IGUALDADE EM MATEMÁTICA?

Embora na adolescência eles apresentem resultados idênticos, as meninas tendem a acreditar que não tem o dom para matemática e, conseqüentemente, sentem-se menos qualificadas que os meninos, como o efeito de Pygmaleão (quando a satisfação vem de algo que é esperado de nós). Já que os professores acham que as meninas tem menos capacidades, ou demonstram menos interesse, elas respondem as essas expectativas acreditando e sendo convencidas de que tem menos interesse e menos habilidade para matemática.
Para que tenhamos igualdade, é necessário tratar meninas e meninos de uma maneira igual.

O MÉTODO

1. Fazer perguntas de maneira alternada entre meninas e meninos.
Talvez isso coopere para passar a mensagem de que uns não são mais importantes que os outros na matemática e que esperamos tanto de uns quanto de outros. De um modo especifico, os professores devem solicitar a um menino que aponte uma informação já conhecida e dar a oportunidade para que uma menina construa uma informação.

2. Os professores também podem achar outras modalidades
Trabalho em grupo, grupos misturados, para que todos tenham uma função, de modo que se evite a predominância masculina nas expressões públicas.

3. Evitar as imposições vindas dos meninos.
Por exemplo: se um menino resolver interromper uma menina que esta respondendo a uma questão, os professores não devem deixar acontecer, devem intervir mostrando à classe o significado implícito desse comportamento.

4. Não permitir piadas sexistas.
Os professores devem interferir quando um menino fizer uma piada sexista, ao invés de fingir que não ouviu, o que significa que eles autorizam o comportamento. Piadas racistas não são toleradas. Como as sexistas são tão comuns? É necessário ensinar os professores a colocar em prática a convenção de 2006, que requer a promoção de uma educação baseada em respeito mútuo entre os dois sexos. E isto também é o papel dos professores de matemática.

5. Eliminar o estereótipo do sexo no campo do conhecimento e profissões:
Os meninos aprendem que devem gostar de exatas e meninas aprendem que têm que gostar de literatura, línguas, e matérias mais abstratas. Este é o efeito dos estereótipos dos sexos.
Na França os matemáticos têm um prestígio que os identifica como “masculinos”.
Esses estereótipos exercem efeito na representação dos jovens: as meninas acreditam que, se elas não se saírem bem em matemática, é porque elas não têm o dom, enquanto que os meninos pensam que é falta de dedicação ou que o professor era ruim. As meninas também tendem a pensar que os meninos que são bons em matemática conseguem isso sem esforço algum, que eles resolvem problemas e exercícios na primeira tentativa e se elas têm que se esforçar por mais tempo é sinal da falta de dom.

Se os professores (e orientadores) forem questionados, eles dirão que tudo isso é absurdo mas, entretanto, eles sempre esperam mais sucesso de um menino no campo das exatas e de meninas em campos mais abstratos como, por exemplo, as artes.
Se quisermos desconstruir esses estereótipos é preciso fazer com que os alunos se expressem a respeito desses conceitos, discutam e evoluam. Já as garotas vão se envolver mais se os professores tiverem uma atitude de mais igualdade e praticá-las em meninas e meninos, clareando suas mentes.

6. Mostrar claramente que não existem “carreiras femininas ou masculinas”.
Os professores devem mostrar as diferentes carreiras onde a matemática é necessária (ou útil), desconstruindo estereótipos sobre as carreiras e desafiando a associação extremamente resistente entre meninos e carreiras de exatas e meninas e carreiras consideradas femininas.

7. Aproveitar o sexismo contido em livros e manuais para ensinar aos alunos o que é sexismo.
Muitos livros didáticos e de idiomas são sexistas. É necessário estar atento quanto a isso. Os teoremas não tem sexo, mas a formulação de problemas talvez tenham visões sexistas. Livros de línguas estrangeiras normalmente são sexistas. Como não podemos desaparecer com esses livros, devemos aproveitá-los para ensinar aos jovens a respeito do sexismo e a respeito de comportamentos coletivos que perpetuam e legitimam a dominação do homem sobre a mulher, que resulta, por exemplo, nesses papéis implícitos nos livros de idiomas, onde o homem sempre é retratado como presidente e a mulher como secretária.

8. Fazer uma pesquisa histórica mostrando a existência das mulheres na matemática.
Convidar uma profissional bem sucedida na área para dar uma palestra para a classe. Ou dar exemplos de mulheres bem sucedidas nesta área (mesmo que seja fora do país). Talvez isso também faça com que os meninos se sintam menos superiores.

9. É necessário mostrar que existem heroínas em nossa cultura, assim como existem heróis.

10. É necessário mostrar que mesmo em campos abstratos e “femininos” como as artes, por exemplo, não se fala sobre grandes pintoras da história.
Para ilustrar essa informação, cito neste blog algumas pintoras (por enquanto só tem uma, futuramente vou adicionar mais pintoras) de reputação internacional que não são mencionadas em livros de historia da arte.

11. É necessário pesquisar grandes personalidades femininas e desconhecidas que se destacaram ou se destacam atualmente em atividades pouco convencionais às mulheres ou que recebem pouco destaque na mídia.
Exemplos: grandes executivas, empresárias, políticas, cientistas, médicas, ativistas, etc.

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21/09/2010

LEI DA LICENÇA A MATERNIDADE:
3 MESES PRA MULHER, 3 MESES PARA O HOMEM (em revisão)

As mulheres devem ter o direito a escolher se querem ficar em casa cuidando dos filhos ou se preferem deixar isso para os homens fazerem. Se vão dividir igualmente, ou se vão fazer o trabalho todo. A sugestão seria 3 MESES DE LICENSA PRA MULHER, 3 MESES DE LICENSA PARA O HOMEM. Mas isso seria flexível podendo optar por 4 meses e 2 meses.


Acha estranho?


Na Alemanha a lei é a seguinte: O casal recebe 6 anos de licença maternidade (tudo bem não vamos comparara as possibilidades econômicas dos países), mas o interessante é como o trabalho é dividido, são 3 anos para cada um.


Quem fica primeiro? O casal decide. O mais comum é a mulher ficar primeiro, pois ela deseja amamentar, se recuperar dos 9 meses e emagrecer. Aqui, não temos uma economia comparável a deles e, 6 anos, seria totalmente inviável, mas deveríamos dividir do mesmo jeito. Quanto tempo é a licença? 6 meses? Então 3 meses pra mulher e 3 meses pro homem.


Com certeza vai ter muita mulher dizendo, que não deseja ser responsável por reduzir o tempo de amamentação do filho. Ok. Vou contar uma historinha que vai mudar sua perspectiva.


Outro dia ouvi uma mãe de uma menina de 10 meses dizer que a pediatra tinha aconselhado ao pai ir tomar cerveja quando a menina preferisse ficar com a mãe, do que com ele.


Segundo a médica como quem cuidou da bebê nesse quase 1 ano foi a mãe, e o pai ia trabalhar todos os dias, ela se apegou a mãe, mais que ao pai, então, hoje em dia, mesmo quando o casal esta junto cuidando do bebê, ela sempre quer a mãe e não ao pai.


A médica diz que muitos pais (homens) ficam deslocados com isso, se sentem um peixe fora d’água, mas o conselho da médica foi uma “pérola”, ela disse: “quando isso acontecer vai tomar uma cerveja”.


LEIS SEXISTAS CRIAM VIDAS E FAMÍLIAS SEXISTAS.


É uma piadinha sexista. Então a mãe (que já é bem atormentada pela sociedade pra se sentir responsável por tudo de ruim que acontecesser ao filho) deve continuar a cuidar da criança sozinha e o pai deve continuar a aproveitar a vida como se não tivesse colocado um filho no mundo, como se ele não fosse 50% responsável por aquela criança? A mãe deu risada da piada, achou engraçado...


Este é o princípio do comportamento, facilmente observado nas famílias onde filhos de 20 anos, ou mais, continuam a chamar pela mãe quando querem ou precisam de qualquer coisa. E não ao pai.


Esta aí a lei dando a sua “valiosa contribuição” para mais um stress feminino. Isso evitaria o princípio do sexismo nas famílias por sobrecargar a mãe, por requisitar as mães a todo momento, pelo resto da vida.


Além disso, as mulheres acham que estão contribuindo muito para o homem quando aliviam tudo e qualquer tarefa “menor” que eles precisem desempenhar em casa? O que elas estão criando? Um poço de orgulho? Esta não é uma contribuição boa à sociedade, ao marido, nem um bom exemplo aos filhos, que absorvem essa separação tornando natural a sobrecarga na vida das meninas e tornando natural o orgulho nos meninos.


Além de tudo, existem mulheres que não têm leite. Então qual é a justificativa pra ela TER QUE ficar em casa e o marido não? É a sociedade dizendo que trocar fraldas é uma tarefa que compete a mulher? Só se ela quiser.


Há aquelas que escolhem não amamentar por que tem dor, ou tem medo de ficar com os seios flácidos (Não acha certo? Acha egoísmo dessa mulher? Não precisa achar certo, mas ela deve ter o direito de ser fútil se quiser), ou ainda se sentem esquisitas porque a vida toda dela, até o momento, seu seio foi visto como um “apetrecho” de conquista, ou um objeto do desejo.


E há aquelas que gostariam de amamentar e continuar trabalhando. Para essas se faz necessário uma creche próxima ao local de trabalho, ou até mesmo no próprio local de trabalho, (algumas poucas empresas fornecem este benefício).


E existem mulheres revoltadas que simplesmente escolhem não amamentar.


Mesmo que você ache essas 4 justificativas acima erradas. Elas existem e deveria ser um direito de escolha.


AS LEIS EMPURRAM AS MULHERES A UM LOCAL ESPECÍFICO.


Não agüento essas propagandas “obrigando” a mãe a amamentar! Eu não fui amamentada e sou saudável, me dou muito bem com minha mãe e não vejo o porquê esse “escândalo” tão grande da mídia em relação a isso. Com tanta propaganda incentivando a amamentação e falando de seus benefícios, quem escolhe não amamentar tem que ter a cabeça muito no lugar para não se sentir culpada.


Mesmo que as mulheres continuem a escolher ficar os 6 meses de licença, quem vai ficar, e por quanto tempo, deve ser uma escolha do casal.







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